19 de janeiro de 2013

Riscos socioeconômicos são um dos destaques do "Global Risks 2013"

O Fórum Econômico Mundial divulgou a semana passada o relatório de “Riscos Globais 2013” e, embora o relatório olhe para os riscos (com consequências negativas apenas) em âmbito global e nacional, os tratamentos de riscos podem ser adotados também por empresas.

Em termos gerais, podem ser distinguidos três tipos de riscos no relatório:

1. Riscos operacionais, tais como falhas em processos e erros humanos;
2. Riscos estratégicos, que são assumidos voluntariamente depois de serem avaliados e comparados com as recompensas potenciais;
3. Riscos externos, que estão além da capacidade de influenciar ou controlar.

No caso das empresas, podemos dizer que os dois primeiros tipos de riscos podem ser administrados através dos novos métodos e diretrizes de Gestão de Riscos (especialmente os estabelecidos na norma internacional ISO 31000...), com foco principalmente na cultura organizacional e no cumprimento (compliance) dos requisitos legais, regulamentares e institucionais.

Dada a natureza dos riscos externos, cultivar e avaliar periodicamente a resiliência é a abordagem que deveria ser adotada para tais riscos por países e organizações em geral.

Resiliência

Em vez de voltar exatamente ao seu estado anterior, a resiliência de um sistema pode ser demonstrada pela adaptação, isto é, encontrando-se maneiras diferentes de realizar funções essenciais.

O relatório “Riscos Globais 2013” fornece aos países - e neste caso também às organizações - uma forma de avaliar a resiliência, considerando cinco componentes:

1. Robustez (robustness)
Robustez incorpora o conceito de confiabilidade e refere-se à capacidade de absorver e resistir a perturbações e crises.

2. Redundância (redundancy)
Redundância envolve ter excesso de capacidade e sistemas de backup, que permitam a manutenção das funcionalidades essenciais no caso de perturbações.

3. Desenvoltura (resourcefulness)
Desenvoltura significa a capacidade de adaptação às crises, dando uma resposta flexível e - quando possível - transformando um impacto negativo em positivo.

4. Resposta (response)
Resposta significa a capacidade de mobilizar-se rapidamente frente a crises.

5. Recuperação (recovery)
Recuperação significa a capacidade de retornar à normalidade depois de uma crise ou um evento, incluindo a capacidade de um sistema de ser flexível e adaptável e de evoluir para lidar com circunstâncias modificadas ou novas, após a materialização de um risco.

Obs: Nosso Manual sobre Gestão de Crises fornece boas práticas e diretrizes detalhadas para administrar crises com eficácia.

O estudo do Fórum Econômico Mundial é o resultado de uma pesquisa com mais de 1 mil especialistas e líderes empresariais. O trabalho realça as severas disparidades de renda acompanhadas por desequilíbrios fiscais crônicos. Esses, segundo o estudo, são os dois principais riscos globais que atualmente refletem as preocupações sobre as dívidas governamentais.

Na sequência de um 2012 marcado por condições meteorológicas extremas, do furacão Sandy às cheias na China, o aumento das emissões de gases de efeito estufa é considerado o terceiro maior risco global, enquanto a incapacidade de adaptação às mudanças climáticas foi vista como o risco ambiental com maiores efeitos de contágio para a próxima década.

Saúde. Enormes avanços no campo da saúde deixaram o mundo perigosamente complacente. A crescente resistência a antibióticos pode empurrar os sistemas de saúde para um colapso, enquanto um mundo hiperconectado facilita a disseminação de pandemias. Esse risco estabelece as relações entre resistência aos antibióticos, doenças crônicas e o fracasso do regime internacional de direitos de propriedade intelectual, recomendando maior colaboração internacional e modelos de financiamento diferentes.

Economia. Riscos socioeconômicos estão fazendo patinar os esforços para vencer os desafios lançados pelas mudanças climáticas. Num momento em que as mudanças estruturais estão acontecendo na economia e no meio ambiente, essa questão requer novas abordagens para que sejam realizados os investimentos estratégicos necessários para evitar os piores cenários de ambos os sistemas.

Crises digitais. Da imprensa à Internet, sempre foi difícil prever como as novas tecnologias vão moldar a sociedade. Apesar de muitas vezes constituírem-se numa força para o bem, a democratização da informação também pode ter consequências voláteis e imprevisíveis, como se reflete nos tumultos provocados pelo filme anti-islâmico postado no YouTube. Enquanto o papel tradicional da mídia como guardiã encontra-se em erosão, este caso mostra como a conectividade possibilita que as crises digitais se espalhem e coloca a questão do que se pode fazer para evitar isso.

O estudo, em inglês, descreve 50 riscos globais e agrupa-os em categorias econômicas, ambientais, geopolíticas, sociais e tecnológicas, as quais foram classificadas em termos de probabilidade e impacto.

Vídeos, navegação pelos dados do estudo com filtros e inter-relações, bem como a íntegra do relatório “Global Risks 2013” (que também está disponível em PDF para download), podem ser acessados por aqui.
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Para reflexão: como a ISO 26000 de Responsabilidade Social pode auxiliar nessas questões?