Uma das frases mais sensatas que li após o fiasco da Copenhague 2009 é que "a ameaça ambiental é séria demais para ser tratada por amadores"...
Como toda essa questão das mudanças climáticas é bastante controversa, e é bem provável que o fracasso da Conferência esfrie a opinião pública mundial - pelo menos por um certo tempo, as organizações que estão se tornando cada vez mais cientes da necessidade e dos benefícios do comportamento socialmente responsável, certamente, se voltarão para a busca de um modelo universal para a Responsabilidade Social Empresarial, cuja meta final, como sabemos, é contribuir para o desenvolvimento sustentável.
Não tenho dúvidas de que as diretrizes da ISO 26000 prestam-se totalmente a esse papel!
Na parte introdutória da 26M, por exemplo, é enfatizado que o "desempenho de uma organização em relação à sociedade em que opera e seu impacto no meio ambiente se tornou parte crucial na avaliação de seu desempenho geral e de sua capacidade de continuar a operar de forma eficaz. Isso, em boa medida, reflete o reconhecimento cada vez maior da necessidade de assegurar ecossistemas saudáveis, igualdade social e boa governança organizacional".
A ISO 26000 vai mais além e ressalta que "a longo prazo, todas as atividades das organizações dependem da saúde dos ecossistemas do mundo". Com isso, fecha-se o círculo e vincula-se a ameaça ambiental global - representada no caso pelas mudanças climáticas - às questões de Responsabilidade Social.
Vamos esquecer um pouco o fiasco de Copenhague, arregaçar as mangas e colocar em prática para valer o documento que está sendo construído através de consenso mundial (que é o que mais faltou na COP 15...), cuja difusão e serviços agregados são a razão de ser deste Blog: a norma ISO 26000!
23 de dezembro de 2009
10 de dezembro de 2009
A ISO 26000, felizmente, NÃO será certificável!
A futura ISO 26000:2010 será uma norma internacional de alto nível, que fornecerá princípios e diretrizes genéricas para a Responsabilidade Social das organizações.
Ela poderá (e já pode, na versão DIS - Draft International Standard) ser utilizada por qualquer empresa pública, privada, associação, grupo, etc. A futura norma não será específica para nenhum tipo de indústria ou setor. Os princípios e as diretrizes contidas na norma podem ser aplicados ao longo da vida de uma organização e a uma ampla gama de atividades, incluindo estratégias, decisões, operações, processos, funções, projetos, produtos e serviços.
A ISO/DIS 26000 é bastaaaaaaaante clara no seguinte aspecto: "esta Norma Internacional não é uma norma de sistema de gestão. Não visa nem é apropriada para fins de certificação ou uso regulatório ou contratual. Quaisquer ofertas de certificação ou alegações de ser certificado conforme a Norma ISO 26000 seriam uma má interpretação da intenção ou propósito da Norma..." (grifos meus)
Está, portanto, muito clara a questão da certificação na 26M, certo?
Na minha visão, o problema central que está por trás dessa enfática diretriz da 26M está justamente no que a certificação de sistemas de gestão se transformou... num imenso "mercadão" em que se vende de tudo e por qualquer preço!
E aí se apela a tudo que é tipo de jeitinho para se obter o "certificado": desde a compra de documentos já prontos em que a empresa apenas coloca o seu logotipo e preenche algumas poucas características específicas de seus processos, até - e isso é o mais grave e inaceitável - a contratação de "esquemas conjugados" de consultoria (muitas vezes disfarçada de "treinamento") e de certificação...
Por causa do salve-se quem puder que virou o "mercadão da certificação", não é de estranhar que cada vez mais empresas estejam abandonando a certificação. Embora a maioria das organizações que escolheram o caminho da certificação (por exemplo, pela ISO 9001 ou pela ISO 14001) ache que a experiência vale a pena, organizações de todas as partes do mundo estão chegando à conclusão de que o processo de manutenção da certificação é caro demais e que as auditorias de acompanhamento dos organismos certificadores estão atoladas de burocracia, não agregando efetivo valor intrínseco aos seus negócios.
Além disso, essa tendência está aumentando porque, à medida que as versões revisadas das normas vão sendo publicadas, vai ficando bastante claro que uma quantidade enorme de empresas jamais esteve comprometida de fato com os princípios, por exemplo, da qualidade ou da preservação ambiental, e seus sistemas de gestão certificados, em consequência, estão gradualmente se desintegrando...
É por todos esses motivos que reafirmo que, felizmente, a ISO 26000 não será certificável. Somente aquelas organizações que tiverem plena consciência da importância de gerenciar suas questões (issues) de Responsabilidade Social é que desejarão adotar e implementar pra valer os princípios e as diretrizes da 26M. Poderão depois (se sair uma norma auditável baseada na ISO 26000) até querer se certificar para dar mais garantia para seus stakeholders, mas aí a história terá que ser diferente...
E vocês, o que acham de tudo isso"?
Ela poderá (e já pode, na versão DIS - Draft International Standard) ser utilizada por qualquer empresa pública, privada, associação, grupo, etc. A futura norma não será específica para nenhum tipo de indústria ou setor. Os princípios e as diretrizes contidas na norma podem ser aplicados ao longo da vida de uma organização e a uma ampla gama de atividades, incluindo estratégias, decisões, operações, processos, funções, projetos, produtos e serviços.
A ISO/DIS 26000 é bastaaaaaaaante clara no seguinte aspecto: "esta Norma Internacional não é uma norma de sistema de gestão. Não visa nem é apropriada para fins de certificação ou uso regulatório ou contratual. Quaisquer ofertas de certificação ou alegações de ser certificado conforme a Norma ISO 26000 seriam uma má interpretação da intenção ou propósito da Norma..." (grifos meus)
Está, portanto, muito clara a questão da certificação na 26M, certo?
Na minha visão, o problema central que está por trás dessa enfática diretriz da 26M está justamente no que a certificação de sistemas de gestão se transformou... num imenso "mercadão" em que se vende de tudo e por qualquer preço!
E aí se apela a tudo que é tipo de jeitinho para se obter o "certificado": desde a compra de documentos já prontos em que a empresa apenas coloca o seu logotipo e preenche algumas poucas características específicas de seus processos, até - e isso é o mais grave e inaceitável - a contratação de "esquemas conjugados" de consultoria (muitas vezes disfarçada de "treinamento") e de certificação...
Por causa do salve-se quem puder que virou o "mercadão da certificação", não é de estranhar que cada vez mais empresas estejam abandonando a certificação. Embora a maioria das organizações que escolheram o caminho da certificação (por exemplo, pela ISO 9001 ou pela ISO 14001) ache que a experiência vale a pena, organizações de todas as partes do mundo estão chegando à conclusão de que o processo de manutenção da certificação é caro demais e que as auditorias de acompanhamento dos organismos certificadores estão atoladas de burocracia, não agregando efetivo valor intrínseco aos seus negócios.
Além disso, essa tendência está aumentando porque, à medida que as versões revisadas das normas vão sendo publicadas, vai ficando bastante claro que uma quantidade enorme de empresas jamais esteve comprometida de fato com os princípios, por exemplo, da qualidade ou da preservação ambiental, e seus sistemas de gestão certificados, em consequência, estão gradualmente se desintegrando...
É por todos esses motivos que reafirmo que, felizmente, a ISO 26000 não será certificável. Somente aquelas organizações que tiverem plena consciência da importância de gerenciar suas questões (issues) de Responsabilidade Social é que desejarão adotar e implementar pra valer os princípios e as diretrizes da 26M. Poderão depois (se sair uma norma auditável baseada na ISO 26000) até querer se certificar para dar mais garantia para seus stakeholders, mas aí a história terá que ser diferente...
E vocês, o que acham de tudo isso"?
7 de dezembro de 2009
As "caixas de texto" na ISO 26000
As caixas de textos (boxes) com orientações adicionais sobre assuntos específicos de Responsabilidade Social, na ISO 26000, estão distribuídos ao longo da norma nas partes em que irão provavelmente ajudar os usuários. Outras caixas de texto contêm exemplos ilustrativos para corroborar o texto principal mais próximo. O fato de o texto estar em um box não significa que seja menos importante do que o texto incluso no corpo do documento...
Vou apresentar a seguir para vocês um resumo do box sobre o tema "Igualdade de Gênero e Responsabilidade Social". Vamos lá...
Todas as sociedades designam papéis para homens e mulheres. Papéis de gênero são comportamentos aprendidos que condicionam quais atividades e responsabilidades são percebidas como masculinas e femininas. Esses papéis de gênero podem discriminar as mulheres, mas também os homens.
Já foi demonstrado que há uma relação positiva entre igualdade de gênero e desenvolvimento socioeconômico, motivo pelo qual a igualdade de gênero é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A promoção da igualdade de gênero dentro das atividades e campanhas de uma organização é um importante componente da Responsabilidade Social.
A igualdade de gênero no engajamento das partes interessadas é também um meio importante para se atingir a igualdade de gênero nas atividades empresariais.
Na ISO 26000, as organizações são estimuladas a usar indicadores e metas para o monitoramento sistemático de processos e para acompanhar o progresso na busca da igualdade de gênero.
Vou apresentar a seguir para vocês um resumo do box sobre o tema "Igualdade de Gênero e Responsabilidade Social". Vamos lá...
Todas as sociedades designam papéis para homens e mulheres. Papéis de gênero são comportamentos aprendidos que condicionam quais atividades e responsabilidades são percebidas como masculinas e femininas. Esses papéis de gênero podem discriminar as mulheres, mas também os homens.
Já foi demonstrado que há uma relação positiva entre igualdade de gênero e desenvolvimento socioeconômico, motivo pelo qual a igualdade de gênero é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A promoção da igualdade de gênero dentro das atividades e campanhas de uma organização é um importante componente da Responsabilidade Social.
A igualdade de gênero no engajamento das partes interessadas é também um meio importante para se atingir a igualdade de gênero nas atividades empresariais.
Na ISO 26000, as organizações são estimuladas a usar indicadores e metas para o monitoramento sistemático de processos e para acompanhar o progresso na busca da igualdade de gênero.
2 de dezembro de 2009
O que é uma "Questão (issue) de Responsabilidade Social"?
A subseção 2.1 da versão DIS da ISO 26000 traz a terminologia e definições principais que são utilizadas na norma.
A definição até agora aprovada de Issue (questão) de Responsabilidade Social é a seguinte:
Item específico de responsabilidade social que pode ser posto em prática para buscar resultados favoráveis para a organização ou para suas partes interessadas, para a sociedade ou para o meio ambiente.
Fica então claramente caracterizado que o objetivo central da norma é orientar as organizações na busca de resultados favoráveis (ou impactos positivos) no que se refere à Responsabilidade Social, e que as issues de RS devem ser adequada e eficazmente gerenciadas a fim de atingir esse objetivo maior.
Para que os amigos aqui do Blog possam acompanhar o que tenho postado a respeito desse assunto, destaco as seguintes mensagens:
A definição até agora aprovada de Issue (questão) de Responsabilidade Social é a seguinte:
Item específico de responsabilidade social que pode ser posto em prática para buscar resultados favoráveis para a organização ou para suas partes interessadas, para a sociedade ou para o meio ambiente.
Fica então claramente caracterizado que o objetivo central da norma é orientar as organizações na busca de resultados favoráveis (ou impactos positivos) no que se refere à Responsabilidade Social, e que as issues de RS devem ser adequada e eficazmente gerenciadas a fim de atingir esse objetivo maior.
Para que os amigos aqui do Blog possam acompanhar o que tenho postado a respeito desse assunto, destaco as seguintes mensagens:
- Os 7 temas centrais e as 37 questões (Issues) de Responsabilidade Social
- ISO 26000: uma proposta do QSP para o Processo de Gestão da Responsabilidade Social
Chegamos então a uma rápida conclusão: o termo issue (questão) é, definitivamente, uma palavra-chave da ISO 26000 e merece, portanto, toda a nossa atenção...
PS: o nome do software que o QSP lançou no Brasil (ISSUE REGISTER - ISO 26000) resume tudo!...
Assinar:
Postagens (Atom)